Get your own free workspace
View
 

Educação de pessoas com necessidades especiais

Page history last edited by Kelli Mattes 2 years, 11 months ago

 

 

Sou Kelli Caroline Mattes, tenho 29 anos, trabalho na área da educação.

Sou estudante do curso de Pedagogia da UFRGS e pretendo utilizar esta página

para postagem das minhas reflexões acerca da interdisciplina

Educação de pessoas com necessidades especias.

Contribuições são bem vindas!

 

Contate-me pelo e-mail kellimattes@yahoo.com.br

 

              Relato de experiência

 

               Bem, não estou em sala de aula e não tive experiência de regência com alunos de inclusão.

               Resolvi, por isso, iniciar minhas postagens com algumas considerações sobre ações nessa área.

               Pensando sobre minha família, tive um primo distante que era mongolóide e portanto não chegou a ter acesso à escola. Não saia de casa e dependia totalmente dos parentes para o desenvolvimento de qualquer atividade que lhe garantisse a sobrevivência (alimentação e higiene).

               Não tenho como relatar algo que não vivenciei e não pretendo criar um fato fictício para cumprir uma tarefa. As vivências que tive com deficientes resumem-se a suas participações em eventos, assistindo a danças, canto, etc. 

              Aliás, o maior contato que tive, foi com o assessor cego do Senador Paulo Paim, meu querido amigo  Santos Fagundes. Pessoa de uma inteligência ímpar, de uma postura firme. Locomove-se por tudo e leva na brincadeira sua deficiência. Disse-me, quando acertamos de ir buscá-lo na rodoviária (e não sabia que era cego) que eu deveria usar um tope vermelho na cabeça para que pudesse identificar-me. Claro que não me submeti a esse ridículo, que aliás foi a primeira pergunta que ele me fez, pouco antes de me relatar aos risos que uma pobre alma passou por esse vexame. Compõe mesas oficiais utilizando a mão para verificar se está na distãncia ideal da mesma. Pergunta àqueles que o rodeiam em que direção encontram-se as bandeiras para ficar na posição certa durante o Hino Nacional. Aprendeu a defender-se na selva e é um exemplo de homem e de vida.

             Juntamente com o Senador Paulo Paim é um divulgador do Programa Cantando as diferenças, criado pelo senador e com recursos federais para investir em ações que tratem da defesa dos direitos dos diferentes (sendo deficientes ou não...fala dos excluídos...negros, mulheres, crianças). Sem dúvida, aceitaria um convite para contribuir com nossas aulas e daria um banho na gente!

             Ah, avivando a memória. Não lembro do nome dele, mas uma grande mente que conheci é de um sociólogo que trabalha na FULBRA, setor da ULBRA que investe em pesquisas na área da inclusão. Cadeirante, super independente, uma companhia agradabilíssima e super culto.

             Um ex-namorado meu, morador de nossa Cidade, que sofreu acidente de moto e tornou-se cadeirante, finalmente fez sua carteira de motorista, tem carro adaptado, está mais bonito e fashion do que nunca e trabalha num elevado órgão da justiça.

Exemplo que acabam com qualquer pensamento preconceituoso e

comprovam que todos, a sua maneira,  podem tudo.

 

Considerações sobre a

educação em Sapiranga

 

Sem sombra de dúvidas, o ideal seria que com um toque de mágica os governos tivessem recursos para:

 

* adaptar todas as escolas, garantindo acessibilidade; 

* equipar as escolas com os melhores instrumentos para atender a uma diversidade de alunos;

* oferecer qualificação permanente específica para a inclusão.

 

Mas a realidade, é que os recursos não são tantos como supomos, há percentuais legais a serem seguidos e um fantasma chamado Tribunal de Contas no pé das administrações, questionando cada investimento.

 

Mas calme! Não estamos sem saída! Longe disso.

Enquanto a utopia da universalidade de atendimento não é uma realidade, que hajam (e existem) espaços já devidamente preparados para atendimentos adequados a todos que necessitem de atendimento especial.

 

Infra-estrutura 

 

          Para pequenas reformas, como a colocação de rampas, felizmente as escolas de Sapiranga possuem autonomia financeira.

          Obras maiores, pouco a pouco vão recebendo a atenção e investimento público.

          Uma nova escola construída na cidade já teve incluída na sua planta um elevador e o CME Dr. Décio Gomes Pereira recebeu um elevador que garantiria  livre circulação de uma aluna cadeirante.

 

EMEF Maria Emília de Paula, recentemente inaugurada

 

 

Atendimento especial para deficientes visuais

 

          Não conheço detalhadamente o trabalho desenvolvido pela EMEF 1° de Maio, mas sei que professores que possuíam alunos deficientes visuais receberam curso específico.

         Sei que houve investimento para aquisição de livros em braille (não sei precisar quantos) e inclusive a compra de uma máquina de braille (atividades são digitadas e impressas em braile para os alunos, bem como eles imprimem suas produções). A diretora saiu da SMED  emocionada. Nunca vou esquecer do dia em que ela a recebeu.

Pára Jogos Escolares 

 

          Em novembro de 2008, foi realizado o 1° Pára Jogos Escolares,onde recebi uma aula de superação e força de vontade. Nem a chuva conseguiu desanimar os atletas que empenharam-se no ginásio da escola onde ocorreu o evento.

          Extrai do site da Prefeitura (www.sapiranga.rs.gov.br)alguns depoimentos dos envolvidos neste grande acontecimento:

 

“Estou gostando muito de poder participar dos jogos, tenho treinado muito durante a semana,

” diz a cadeirante de 10 anos, Maria Eduarda.

 

“Nem tenho palavras para descrever a emoção de ver a minha filha participar de um evento como esse.

É muito bom ter um evento especial para essas crianças,”

completa a mãe de Maria Eduarda, Carla Cristiane da Costa.

 

 A presidente da APAE de Sapiranga, Rejane Moz, também citou a lacuna deixada pela falta de um evento específico para as crianças competirem dentro de suas possibilidades e necessidades no passado. “Esse festival é uma experiência fantástica,” declara emocionada.

***************

 

Eles realmente surpreendem. Os alunos da APAE, por exemplo, muito afetivos,me surpreenderam abraçando-me durante a abertura e em alguns momentos inclusive dividi o microfone com eles, quebrando as regras pré-estabelecidas de cerimonial. Foi um evento formidável! 

 

 

 

 

EJA Especial 

 

          No dia 23 de março de 2009, 20 ex-alunos  da APAE iniciaram o módulo I ou II da Eja de Educação Especial na EMEF Pastor Rodolfo Saenger.

          Foi um momento de muita emoção e grande aprendizagem. Durante o evento uma das alunas leu um texto criado pelos alunos, falando da emoção de estudar e agradecendo a todos aqueles que estão garantindo este direito.

 

 

Estudo de caso

Visita à EMEF 1º de Maio

 

 

 

Uma apaixonada pelas belezas naturais humanas e do mundo, resolvi desbravar o mundo da deficiência visual e conhecer o trabalho desenvolvido bem como os desafios a seren enfrentados por alunos da rede que possuem essa dificuldade.

Iniciei meu trabalho realizando uma entrevista com a educadora Elisabete Strassburger que presta assistência aos alunos com deficiência visual da EMEF 1º de Maio, pólo na Cidade de Sapiranga para essa espécie de atendimento especializado.

Descobri que na escola existem 7 alunos com deficiência visual: 2 no 2º ano, 2 no 3º ano, 1 na 4ª série e 2 na 5ª série.

Lucas, Éverton e Ezequiel possuem baixa visão. Observei Éverton da 4ª série encantado no laboratório de informática,participando no contra-turno do laboratório de matemática. Éverton estava com os olhos literalmente grudados na tela. Segundo o professor, ele realiza as contas de cabeça, com muita facilidade e adora estar jogando no computador.

Mostraram-me o Dos Vox, programa com diversas atividades para alunos DV, que conversa com o aluno, questionando-o sobre o que deseja. Utilizam teclado especial com letras muito grandes e em braille.

Saindo do laboratório, fui visitar a 5ª série, onde existem 2 alunos DV.

Maicon, é cego de um olho e tem 20% da visão do outro. Segundo a professora, Maicon nasceu cego e foi uma cobaia de um hospital portoalegrense, onde tentaram reverter o glaucoma. Submetido a cirurgia e tratamento em um olho, a família não aceitou que fizesse no outro. Usa 3 colírios e toma medicamentos permanentemente para não perder completamente a visão. Comenta que enquanto o habitual é ter 15, 16 de pressão no olho, quando nervoso ele chega a 56. Maicon não utiliza braille. Ele e família se negam a aceitar que no futuro necessitará desse recurso. Utiliza a lupa em aula e como não enxerga quase nada, tem o apoio permanente da professora assistente.

Mas a estrela iluminada que decidi acompanhar infelizmente e milagrosamente não estava na escola. Trata-se de um alunos chamado Vinícius, de 15 anos, aluno da mesma série, a 5ª.

 

Segundo Elisabete, Vinícius perdeu a visão com 2 anos. É 100% cego.

É um aluno muito reservado. Dizem que a mãe tem vergonha dele, não conseguindo aceitae sua limitação. Ela sai de casa durante a tarde, deixando-o sozinho.

Quando Vinícius chega da escola, por falta de assistência, resolve dormir. Estuda no turno da manhã e volta à tarde pra escola, na maioria das vezes, para desenvolver as atividades de atletismo, reforço e participar do projeto sobre a água da Escola Municipal de Educação Ambiental.

Seu melhor amigo e constante companheiro é Maicon.

Os colegas da turma se dão muito bem com Vinícius e carregam ele a toda parte.

Totalmente sozinho não consegue se deslocar na escola.

Utiliza a máquina de braille durante as atividades e o reglete, um aparelho menor para desenvolver os tema de casa. Diz a educadora que é mais rápido na máquina que os colegas ao escvrever.

Elisabete realizar uma leitura a mais, com muita calma com todos os DV's, visto que o fato de não enxergarem dificulta a compreensão através da audição da explicação do professor titular. Necessitam de muita concentração e silêncio.

Para os cálculos matemáticos, Vinícius utiliza o sorobã, uma espécie de calculadora.

No laboratório de informática eles têm à disposição, além do software e teclado que já relatei, uma impressora em braille.

A Fundação Dorina Nowill, tem apoiado muito a escola, remetendo com frequência publicações e cd's de áudio à escola.

Pretendo retornar na próxima semana à escola a fim de conversar e observar o aluno eleito para este relatório: Vinícis.

 

Comments (1)

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 10:37 pm on May 30, 2009

Olá, Kelli,não entendi quando falastes que não tens nenhuma expriencia com inclusão, pois o teu relato é muito bom, rico, cheio de detalhes. Estão faltando as seguintes atividades:
- 3B: identificar o sujeito a ser pesquisado;
- 4 : perfil do sujeito;
- 5 : historia de vida do sujeito( em andamento).
Não conseguiste identificar o sujeito?, podes procurar com alguma colega ou na Apae, numa entidade entre as varias que enumeraste. Por favor nos constate.
Abraços
Maria del Carmen

You don't have permission to comment on this page.